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8 de dez. de 2007

Creative Commons faz cinco anos

Para marcar a data, haverá festas em San Francisco, Nova York e Berlim, com participações de convidados como Lawrence Lessig, autor do livro "Cultura Livre", e do ministro da Cultura, Gilberto Gil

O Creative Commons, projeto que disponibiliza licenças flexíveis para obras intelectuais, comemora cinco anos hoje.
Para marcar a data, haverá festas em San Francisco, Nova York e Berlim, com participações de convidados como Lawrence Lessig, autor do livro "Cultura Livre", e do ministro da Cultura, Gilberto Gil.
No Brasil, a comemoração será feita no Fórum do Software Livre, que ocorre em Porto Alegre, em 2008.
Em cinco anos, o Creative Commons
se estabeleceu em 50 países, licenciando mais de 140 milhões de obras, de acordo com Ronaldo Lemos, diretor nacional do projeto (www.creativecommons.org.br).

O conjunto de licenças permite o licenciamento e distribuição de conteúdos culturais, como textos, músicas e filmes, de acordo com critérios estabelecidos pelo autor.
"O Creative Commons
tem sido visto como uma ferramenta importante para fortalecer autores e políticas de gerenciamento de direitos intelectuais, tanto privadas quanto públicas", diz Lemos.
Segundo ele, o CC tornou-se uma das principais ferramentas da web 2.0 por oferecer uma base jurídica para a criação colaborativa e ser integrante de vários projetos nessa área, como o Flickr e o brasileiro Overmundo (
www.overmundo.com.br).


Ciências
O CC possui desdobramentos importantes, segundo Lemos. Um deles é o Science Commons (
www.sciencecommons.org), que cuida da disseminação do conhecimento científico. "É um dos poucos projetos no mundo hoje que podem ser considerados de web 3.0, pois usa uma nova forma de articular o conhecimento científico."
Outros são o iCommons, cuja missão é apoiar a comunidade global ligada ao acesso livre e desenvolver projetos no mundo todo, e o CC-Learn, que atua na criação de materiais educacionais abertos.
O CC hoje é utilizado em vários países como instrumento de gestão da propriedade intelectual, conta Lemos. "Os exemplos incluem desde o ministério da Educação do Chile até a televisão pública na Alemanha, que licencia sua programação em CC."

Fonte: Folha S.Paulo - 05/12/2007

22 de out. de 2007

Microsoft perde espaço junto à União Européia e Bill Gates tem que pagar multa

A Microsoft finalmente concordou em mudar sua postura no mercado e aceitou pagar uma multa de US$ 400,6 milhões (R$ 720 milhões). É o que afirma a Comissão Européia --braço executivo da União Européia-- nesta segunda-feira (22).
Segundo a UE, a companhia vai tomar medidas para cumprir a decisão de 2004 que considerou abusivas e anticompetitivas as práticas comerciais da gigante do software.
O acordo marca uma grande virada na atitude da empresa. Há mais de três anos a Microsoft vinha se esquivando de atender à decisão da comissão, mas até agora nunca as tinha cumprido. A companhia deverá permitir a interoperatividade de seus programas com os da concorrência.
O órgão europeu informou em comunicado que a "Microsoft tomará as medidas necessárias [antitruste] para manter suas obrigações de acordo com a decisão de 2004".
A Microsoft, que deverá pagar multa recorde de US$ 400,6 milhões (R$ 720 milhões) por não cumprir as exigências em 2006, enfrentava a possibilidade de receber novas multas.

A companhia vai disponibilizar aos produtores de software de "código aberto" informação para que seus programas funcionem bem no sistema operacional Windows, assim como acontece com software da própria Microsoft.
A empresa permitirá, deste modo, que os editores independentes de softwares tenham acesso à documentação técnica necessária para desenvolver produtos compatíveis com o sistema operacional Windows.
A Microsoft também anunciou a redução das somas pedidas em troca dessa informação e dos direitos de utilização de patentes a nível mundial.
O anúncio da Microsoft de acatar as exigências supõe o fim de uma batalha de mais de sete anos.

Com informações das agências Reuters, France Presse e Folha.

20 de out. de 2007

Lançado o UBUNTU 7.10

do zumo

O mês de outubro chegou e com ele a tradicional versão semestral do Ubuntu, uma das distribuições Linux mais populares da atualidade segundo dados do site DistroWatch.

O Ubuntu Linux 7.10 “Gutsy Gibbon” (Gibão Valente) mantém a tradição de uma distro pequena (apenas 700 MB em um CD), estável e fácil de usar estabelecida por seus antecessores e traz melhorias em várias áreas. Pode não ter as “mais de 300” novidades de um Mac OS X Leopard, que chega no dia 26, mas as mudanças existentes são para melhor e fazem toda a diferença no dia-a-dia do usuário: configuração automática de impressoras, suporte melhorado a hardware (até WinModem funciona), efeitos 3D na interface, busca no desktop, multimídia fácil e que funciona e muito mais.

Interessado? Visite o site oficial e coloque já sua cópia na fila de download (recomendamos o uso do BitTorrent). E enquanto ela não vem, pegue uma xicará de café e nos acompanhe neste review. (abaixo)

http://zumo.com.br/2007/10/18/review-ubuntu-linux-710-gutsy-gibbon/

15 de out. de 2007

Vem aí o "PAC da Ciência e Tecnologia" (blog do Dirceu)

O governo irá assumir o risco da inovação tecnológica por meio de um fundo de capital gerenciado pelo BNDES. Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, o banco irá direcionar cerca de R$ 2,7 bilhões, até 2010, para incentivar fundos de capital de risco e comprar participações acionárias em empresas de base tecnológica.
A medida é um dos pontos do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação, o "PAC da Ciência", com previsão de lançamento para o final deste mês. O plano prevê investimento de R$ 41 bilhões em ciência e tecnologia até 2010. Desse valor, 26%, ou aproximadamente R$ 10 bilhões, devem vir do FNDCT (Fundo Nacional para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico. O ministro Rezende anunciou que o governo irá estudar mudanças na legislação sobre licitações para permitir que os produtos nacionais com inovação tecnológica tenham prioridade nas compras do poder público, mesmo que custem mais do que equivalentes importados. A idéia é que, com garantia de compra pelo Estado, aumente o interesse das empresas em investir em inovação.
Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação prevê ainda investimentos de cerca de R$ 15,3 bilhões em "pesquisa e desenvolvimento em áreas estratégicas" - são 13, incluindo biotecnologia, Amazônia, mudanças climáticas, programa nuclear e outras. Haverá também uma verba de R$ 1,4 bilhão para ações de "inclusão social", como telecentros (centros de computadores para uso público). Uma boa notícia. Como tenho dito várias vezes, investir em inovação tecnológica é uma necessidade inadiável para que o Brasil aumente a competitividade de seus produtos e possa enfrentar em melhores condições a concorrência internacional, principalmente dos produtos chineses, cresça e gere mais e melhores empregos.

http://www.zedirceu.com.br/

9 de out. de 2007

Inscrições abertas para o Seminário Além das Redes de Colaboração

Estão abertas as inscrições para o Seminário Além das Redes de Colaboração do Programa Cultura e Pensamento. A escolha dos locais não foi em vão, ocorrendo nos dois extremos geográficos do Brasil “demonstrando o poder desterritorializante e distribuído da cultura digital e das redes de colaboração”.
Inscrições em http://www.softwarelivre.org/news/10043

5 de out. de 2007

Novo sistema web para gestão comercial 100% Software livre

A Colivre - Cooperativa de Tecnologias Livres acaba de lançar a versão 0.3.1 do Abelo: o mais novo sistema web para gestão comercial 100% Software livre! :-)
http://www.abelo.com.br

Com o Abelo, qualquer organização (empresa, instituição de ensino, cooperativa ou ONG) pode controlar seu estoque ou almoxarifado; cadastrar clientes, trabalhadoras/es, produtos e fornecedoras/es; além de poder realizar a gestão financeira com segurança e eficiência. Tudo isto com um sistema intuitivo, acessível e simplesmente *belo*. O Abelo é uma tecnologia livre desenvolvida com trabalho livre, ou seja, por meio de um empreendimento de economia solidária! Por isto,
use, divulgue e colabore com este projeto! :-)

30 de set. de 2007

Novas Tecnologias e Movimentos Sociais - Artigo

Novas Tecnologias e Movimentos Sociais: do partido de Lênin às redes da sociedade civil e às comunidades virtuais

Autor: Nilton Bahlis dos Santos(*)

fonte: http://www.rits.org.br/redes_teste/rd_tmes_SET2007.cfm

Resumo
Os ativistas jovens dos movimentos sociais talvez não conheçam os livros de Lênin "Por onde começar?" e o "Que Fazer?", referências inevitáveis no debate sobre organização partidária nos anos 1970/80. Neles, Lênin afirmava que um jornal era um importante instrumento de coesão político e ideológica e um organizador da ação partidária.

Em uma época onde a democracia inexistia e em que os trabalhadores não tinham acesso à informação, uma época de centralizaçãoo absoluta do Estado, e, principalmente, quando a sociedade ainda não ganhara complexidade, parecia viável reunir organicamente os setores majoritários da população em torno de um único programa e de um plano de ação dirigido pela "teoria científica".

Hoje, com a complexidade adquirida pela sociedade fica inviabilizada a estruturação hierárquica e centralizada dos movimentos. A rapidez com que se modificam o contexto político, as relações de forças e os interesses e dinâmicas dos diversos setores, desbordam qualquer possibilidade deles serem contidos neste tipo de estrutura.

Isto esta na raiz da crise com que convivemos dos organismos do Estado, e das organizações partidárias e sociais. As novas tecnologias e a Internet, porém, viabilizam formas de organização o que permitem incorporar e conviver com a mais ampla diversidade; possibilitam a convergência das dinãmicas particulares e às vezes até contraditórias existentes dentro dos movimentos, e oferecem possibilidades e instrumentos efetivos para uma organizaçãoo social que ganha a forma de rede e se apresenta através de uma multiplicidade de organizações civis e de comunidades virtuais.

O Partido de Lênin: um Dispositivo de Interação Virtual
Os jovens militantes e ativistas dos movimentos sociais talvez não conheçam, mas os mais antigos certamente lembrarão dos livros de Lênin "Por onde começar?" e "Que fazer?", referências inevitáveis quando se discutia a questão da organização partidária.

Nessas publicações, Lênin propunha a tomada de poder como objetivo estratégico e apontava a necessidade de construção de um partido de combate capaz de estruturar a ação política, consolidar aliançs estratégicas e de longo prazo, e dirigir as classes trabalhadoras para o assalto ao poder:

    "Nos falamos de criar uma 'sólida organização de combate' para atacar de frente, para assaltar ao absolutismo" (...) "A constituição de uma organização de combate e de agitação política são obrigatórias em qualquer circunstância (...) porque em um momento de explosão, de conflagração, será demasiado tarde para criar uma organização. Ela precisa já estar pronta, para desenvolver imediatamente sua atividade". (Lênin, 1973, p. 14).

Naquele momento, ele se colocava a questão de "por onde começar?" Deveria se começar por um jornal, respondia. Em uma época onde a democracia inexistia, onde os trabalhadores não tinham acesso à edução e quando a produção de informação era restrita, em uma época de centralização e absolutismo do Estado, e, principalmente, quando a sociedade ainda não ganhara complexidade com que convivemos hoje, a possibilidade de reunir de maneira orgânica e disciplinada setores significativos, hegemônicos e até majoritários da população, em torno de um único programa e plano de ação, orientado por uma "teoria científica", parecia uma possibilidade real.

Naquelas condições, um jornal poderia ser um importante instrumento de coesão política e ideológica, e, principalmente, um organizador e instrumento para estruturar, no tempo e no espaço, a ação partidária e de massas:

  • O jornal pode ser "o ponto de partida de nossa atividade, o primeiro passo concreto para criaçã da organização desejada; o fio condutor, enfim, que nos permitirr expandir sem cessar esta organização em profundidade (...) para toda a Rússia" (Lênin, 1973, p. 17).
  • Ele serve a generalização e globalização da luta: "precisamos um jornal, sem o que, toda a propaganda e agitação sistemática fiel aos princípios e abarcando todos os aspectos da vida, são impossíveis". Este jornal complementa a "agitação fragmentária da ação pessoal, os panfletos e brochuras elaborados localmente, pela agitação generalizada e regular" (Lênin, 1973, p. 17).
  • O jornal poderia estruturar a ação revolucionária no tempo, pois "a frequência e regularidade de produção e de aparição (e difusão do periódico) permite medir de forma mais exata o grau de organização atingido..."; e no espaço, pois estenderia a ação política no território, unificando a luta revolucionária em escala nacional. Permitiria superar a "dispersão, pois a imensa maioria dos social-democratas está absorvida por necessidades puramente locais que reduzem seus horizontes e a envergadura de seus esforços..." (Lênin, 1973, p. 17).

A forte presença de concepções estalinistas na tradição dos partidos comunistas durante um longo período, assim como de resto no conjunto da esquerda, terminaram por reduzir as concepções de Lênin a um aspecto de suas formulações: a importância do jornal como irradiador de posições e instrumento para a vanguarda introduzir, na classe operária, de "fora para dentro", a consciência "para si". Mas nas formulações acima podemos verificar que o Lênin que pretende é construir o que podemos chamar de um Dispositivo de Interação Virtual (DIV).

O Periódico criado para toda Rússia é antes de tudo uma "armadura", uma Rede capaz de viabilizar a ligação entre todos os militantes e camadas avançadas do bloco de classes que se pretende construir, com extensão nacional, com o objetivo de assaltar o poder. Ao centrar suas forças na criação do Jornal periódico, ele não se preocupa apenas com as relações efetivas existentes entre os militantes daquele momento, mas com a criação de relações virtuais entre todos os ativistas potenciais, viabilizando a expansão ou retração do Partido nos diversos momentos do processo e para permitir que ele possa acaudilhar e dirigir as massas insurretas na hora decisiva.

Mas o que é um DIV? Conforme Navarro (1996) um DIV:

    Tipicamente permite estabelecer relações virtuais entre agentes: isto é, relações nas quais a interação entre os mesmos nao chega a concretizar-se efetivamente, ficando somente incipiente e indefinida em sua complexidade real. São relações que se constituem numa espécie de 'expectativa abstrata de interação'. (...) Na medida em que possibilitam, sustentam, fomentam e constrangem as interações virtuais, os DIV se convertem de maneira generalizada, num pressuposto de agenciamento dos indivíduos, formando um âmbito cada vez mais amplo de suas ações, onde a reificação das relações entre tais indivíduos resulta inevitável.

O "Periódico para toda a Rússia", proposto por Lênin, é um dispositivo especifico capaz de construir o Partido. E este Partido guardará uma similitude de estrutura e de características com o sistema e os fluxos de informaçõo que serão criados por tal dispositivo. Como o Jornal (broadcast - de um para muitos), ele constrói relações centralizadas e hierarquizadas, de cima para baixo (ainda que pretenda também originar um feedback), através de uma cadeia de organismos que "representam" e acionam os níveis inferiores.

A concepção de partido de Lênin em geral esteve associada ao partido operário, e, evidentemente, o fato de se tratar um tipo particular de partido, um partido conspirativo que pretende assaltar o poder, deixou suas marcas com tintas carregadas em suas formulações. Mas os traços fundamentais de seu Partido (além do caráter conspirativo) são os mesmos de qualquer partido republicano.

Temos uma concepção onde:

    1) O partido é a organização de uma classe ou fração de classe em torno de seus interesses e projetos mais gerais. A coerência deste partido se dê em torno de um projeto (enquanto uma formulação abstrata sobre sua possibilidade de exercer o poder) que corresponderia aos interesses do conjunto dessa classe (ou fração) em detrimento de outras:

    2) Este partido luta por sua hegemonia na sociedade atraindo algumas classes ou frações e golpeando outras; e, conquistado o poder, impõe seus interesses sobre o conjunto da sociedade;

    3) Do anterior se gera um potencial de alternância de poder e de hegemonia, por via eleitoral ou pela força, entre projetos de diferentes classes ou frações.

A coerência necessária neste tipo de partido gera a reprodução deste modelo no interior dele próprio. Ele será dirigido por seus setores mais coesos, organizados e majoritários (no caso do partido leninista o proletariado industrial das grandes fábricas), que devem atrair ou neutralizar alguns setores e impor sua hegemonia sobre outros. Para manter a coerência e para que esta hegemonia possa resultar em uma ação centralizada, feito o debate, a minoria deve se colocar a disposição da maioria. Para impedir que as lutas internas sejam dilacerantes, surge o modelo do centralismo democrático. Todos podem defender seus interesses, mas definida a maioria, todos devem unificar sua ação em torno das posições da maioria.

Tal e qual um fractal, este modelo de organização política se reflete em todas os níveis e esferas da vida social construindo hierarquias e pirâmides por toda parte.

Sistemas simples e Complexos
Na pesquisa feita para elaboração de nossa tese de doutorado (Santos, 2005) procuramos mostrar como as concepções, formas de organização e ação social podem ser consideradas como elementos de uma cultura determinada, que chamamos de "Ordem do Livro". Esta cultura está estreitamente relacionada à construção da escrita e da Imprensa, e a irradiação de suas características cognitivas para todo o tipo de prática social. Procuramos então observar que o tipo de processamento que se estabelece a partir da escrita (de divisão em partes e recomposição do todo como soma das partes), e da análise como fonte originária da ciência, caracteriza um determinado sistema particular de informação: um sistema de informações finito, e que exatamente por ser finito pode ter uma organização e estrutura estável capaz de se estender no espaço e se desdobrar em um tempo absoluto.

O que fazemos neste artigo é estender esta observação para o terreno político, mostrando que a democracia representativa é a expressão política desta cultura e que, ela esta condicionada pelas características particulares deste tipo de sistema. Em outras palavras, o modelo político representativo tem os mesmos condicionantes e constrições dos sistemas simples com sua estrutura hierárquica e causal.

Cabe ressaltar, no entanto, que esta estrutura hierárquica e causal só se torna possível enquanto encontra uma relativa estabilidade, isto é, quando as relações de forças apresentam características de continuidade. Ocorre, porém, que a complexidade das sociedades de hoje inviabiliza a estruturação hierárquica e centralizada permanente das organizações e movimentos, visto a rapidez com que se modifica o contexto político e as relações de forças. Assim conforme se caracteriza uma nova hegemonia, quando ela impulsiona seu projeto, o quadro de conjunto se modifica, pois as dubiedades passíveis de se manter no nível abstrato dos programas, quando colocadas em prática, provocam desdobramentos e consequências que levam a novos alinhamentos.

Qualquer observador atento ao quadro político pode verificar a rapidez com que as unanimidades, eleitorais ou de outro tipo, desmoronam após processos políticos intensos. Este desmoronamento é tanto mais avassalador quanto mais centralizado e abrupto foi seu desenlace.

A complexidade e a diversidade, o interesse e as dinâmicas diferentes dos diversos setores, em um sistema complexo, desbordam qualquer possibilidade de serem estruturadas e contidas em estruturas centralizadas. Este é o elemento que parece estar na raiz das crises políticas e sociais dos organismos do Estado e das organizações partidárias que vivenciamos hoje em dia e de sua incapacidade de estabilização por períodos prolongados.

Na verdade, ainda que os Partidos sejam estruturados a partir de programas políticos gerais, sua ação política só ganha consistência prática ao nível das ações pontuais e localizadas. É neste nível que eles ganham materialidade e onde as ações políticas são constrangidas pelos agentes locais, ganhando nesse âmbito formas particulares.

É de conhecimento público que as contradiçõçes entre o programa dos eleitos (assim como dos que assaltam o poder) e suas aões posteriores são mais frequentes do que se poderia desejar. Se antes essa contradição não se mostrava explicita isto era fruto da generalidade dos programas, da pouca transparência da ação governamental, porque apenas eram visíveis as suas ações mais importantes e, principalmente, porque entre a formulação dos programas e seus desdobramentos decorriam grandes períodos de tempo.

Se antes eram raros os momentos que se abriam de intervenção política para o cidadão, determinado por processos eleitorais ou por situações revolucionárias, com o aumento da complexidade (determinado pela multiplicação de práticas e do grau de informação / consciência dos processos em curso) o terreno da disputa se desloca para a ação cotidiana que é onde se materializam as políticas.

É essa a razão porquê, de algum tempo para cá, vivemos situações de abruptos desequilíbrios que não podem ser diretamente associados à estruturação de hegemonias políticas construídas em longos períodos de acumulação de forças. Vimos isto no caso da decomposição do bloco socialista ou na queda do muro de Berlim, onde o poder simplesmente desmoronou em lugar de ser assaltado por um partido estruturado.

Nos sistemas complexos, a modificação constante das relações permite que um processo menor e aparentemente secundário crie uma correlação de forças localizada, capaz de desequilibrar o conjunto do sistema, impossível de ser prevista, pois não obedece a relações causais. Nesta situação uma estrutura centralizada é incapaz de absorver e conviver com as dinâmicas dilacerantes que se manifestam, e encontrar um novo equilíbrio.

A experiência das eleições espanholas de 2004 é sintomética. O sentimento da população de que o governo estava tentando enganá-la sobre os episódios ocorridos dias antes do escrutínio foi o mais importante fator para a decisão da população de varrer do poder o partido governista.

Alguns dias antes dessa eleição na Espanha ocorreu uma série de atentados a bomba na rede ferroviária, originando uma grande quantidade de mortos. O atentado era uma ação de resposta de estrangeiros muçulmanos ao envio de soldados espanhóis ao Iraque, mas o governo tentou responsabilizar o ETA pela ação levado por seus interesses eleitorais. A versão não se sustentou em função das prisões e outros indícios que se sucederam, mas preocupado em não atrair atenções para sua política belicista o governo tentou manter sua versão até depois das eleições, pois faltavam apenas algumas horas para elas. Formou-se então uma rede de comunicação da população, por celulares, onde, com a ampla circulação de informações, aconteceu um processo de sincronização de opiniões, criando-se um consenso na população sobre a manipulação do Governo. O resultado foi o repúdio popular e a derrota nas eleições. Até esse evento a vitória do governo era tida como inevitável.

Evidentemente que a participação da Espanha na invasão do Iraque era suficientemente importante para provocar descontentamento. Mas conforme as pesquisas mostravam, sua importância provavelmente não seria suficiente para decidir o voto popular. A percepção da intenção do governo de enganá-la, foi o fator aleatório que provocou uma sincronização de interesses diversos e onda capaz de, em questão de horas, modificar a situação de conjunto.

Sistemas Dinâmicos e Complexidade
O tipo de processo descrito no tópico anterior entra em contradição com estruturas que se propõem ser permanentes e que estabelecem papéis e pesos determinados para os diferentes agentes do sistema. Em sistemas dinâmicos, como os sistemas complexos, os pesos e papéis dos diferentes atores encontram-se em constante modificação. O que em um momento é fonte de força, no momento seguinte é fonte de fragilidade, pois as cartas so constantemente embaralhadas.

Não é novidade a modificação que se verifica na situação de conjunto quando se realizam determinados objetivos estratégicos. Na própria experiência da revolução russa, como em todas revoluções socialistas, vemos uma situação que se repete. Se o partido revolucionário, com sua estrutura centralizada e hierárquica, é capaz de acaudilhar as massas e viabilizar sua insurreição, ao fazé-lo, no mesmo ato modifica estruturalmente o quadro de conjunto da correlação de forças. Na nova situação, a centralização torna o partido incapaz de se adaptar à nova situação onde "mil flores florescem" e onde se manifestam interesses específicos e contraditórios de cada setor da sociedade.

A diferença é que antes este processo se desenvolvia em dezenas de anos. E então podíamos considerar que o partido é que tinha mudado (se degenerado) e não que ele perdera atualidade em uma nova situação criada. Agora, com o aumento da complexidade, quando o sistema e a produção de informações ganham características infinitas, este processo pode ocorrer em horas como vimos na Espanha.

Um problema complementar é que as contradições provocadas pelo crescimento da complexidade se reproduzem no interior dos próprios partidos e estruturas políticas. Se uma organização centralizada é capaz de estruturar um número limitado de elementos, quando tende ao infinito, a subdivisão sucessiva da sua estrutura em arvore é obrigada a se ampliar, aumentando a distância entre a topo e a base. Isto provoca um crescimento desproporcional desta cadeia causal em número e peso dos elementos intermediários. O peso da estrutura tende a ser cada vez maior, sugando e consumindo seus recursos e energias até que o sistema se esvai na manutenção da própria estrutura e desmorona sob seu próprio peso.

Os debates sobre corrupção, nepotismo e uso do poder para fins privados, assim como o aumento do custo da máquina administrativa, podem encontrar então um olhar particular.

Podemos dizer que o desperdício e a corrupção são o "custo" dos intermediários,devido ao tamanho e a hiper-centralização do sistema, condição da qual, aparentemente não se consegue fugir e onde, no máximo, conseguiremos identificar e reduzir o que é mais aberrante.

Estas observações nos levam a conclusão de que os partidos e os instrumentos de centralização do sistema político, tais como são concebidos, entram em contradição com as novas dinâmicas que vivem as sociedades de hoje e tendem a perder gradualmente sua força. Como exemplo, as formas tradicionais de democracia baseadas na representaçãço e intermediações (por períodos duradouros), tendem a se mostrar incapazes de absorver e canalizar estas dinâmicas em constante mutação, em particular quando a informação é abundante.

A perda de importância das organizações políticas gerais, que já vem ocorrendo, não significa, ao contrário do que dizem alguns, uma despolitização da sociedade. A prática política em um sistema complexo busca outros canais e se cola mais a dinâmica cotidiana. Ela se desloca para o terreno onde a política se materializa, isto é, no nível local, entendido como prática específica e não como algo espacial. Neste "lócus" é que os conflitos e interesses concretos tendem a se desenvolver e ser negociados. Isto aumenta a importâcia das organizações da sociedade civil que se transformam em espaço de ação política em torno de práticas específicas, viabilizando uma diversidade de tipos de ação, assim como de organizações que dão expressão à complexidade da vida social e permitem que ela se manifeste em sua diversidade.

Neste quadro as novas tecnologias, ao mesmo tempo em que aprofundam a complexidade, viabilizam a criação de novos tipos de Dispositivos de Interação Virtual mais adaptados às suas dinâmicas. A diferença dos DIVs anteriores, estruturados a partir da Imprensa, é que as novas tecnologias viabilizam sistemas complexos, descentralizados e interativos, onde o centro se desloca de um para outro ponto, a cada momento, dependendo dos processos e relações entre os diferentes agentes que se desenvolvem e se modificam constantemente.

Estes sistemas podem incorporar diferentes espaços e tempos e diferentes culturas. Enquanto nos sistemas simples a emulação se verifica pela competição e concorrência, nos sistemas complexos ela é emulada pela cooperação.

Ao contrário dos sistemas simples os sistemas complexos não podem ser descritos por uma racionalidade externa e superior a eles próprios, e não podem ser desmontados em partes e decompostos em relações causais com uma relativa permanência.

As tentativas de submeter os sistemas complexos a uma iniciativa centralizada se dissipam, submetidas a uma multiplicidade de ações originadas nos processos de sincronização entre os seus infinitos agentes. As dinâicas e características que assume o sistema, ao contrário do que ocorre nos sistemas simples onde parecem corresponder a uma cadeia de relações causais, são aqui frutos de processos emergentes cuja determinação se encontra em outro nível.

    Usamos aqui o conceito de emergência apontado por cientistas empenhados em entender sistemas que usam componentes relativamente simples para construir inteligência de nível mais alto, onde agentes locai desenvolvem ações seguindo regras simples que são capazes de gerar estruturas surpreendentemente complexas (Johnson, 2001).

    (Este tipo de sistemas) "resolvem problemas com o auxílio de massas de elementos simplórios, em vez de contar com uma única 'divisão executiva inteligente'. São sistemas bottom-up (de baixo para cima), e não, top-down (de cima para baixo). Pegam seu conhecimento a partir de baixo. Em uma linguagem mais técnica, são sistemas adaptativos complexos que mostram comportamento emergente. Neles, os agentes que residem em uma escala começam a produzir comportamento que reside em uma escala acima deles: formigas criam colônias; cidadãos criam comunidades; um software simples de reconhecimento de padrões apreende como recomendar novos livros. O movimento de regras de nível mais baixo para a sofisticação de nível mais alto é o que chamamos de emergência" (p. 14) (Johnson, 2001).

Estes processos emergentes criados por sociedades cada vez mais complexas, com suas características de auto-organização, entram em contradição com a dinâmica centralizada ehierarquizada das estruturas políticas da democracia representativa, originando graves crises, com confrontos e alternância entre processos de cima para baixo e processos emergentes.

As novas tecnologias permitem a criação de dispositivos de interação que servem como base para que se desenvolvam novas formas de organização que possibilitam a incorporação e convivência da mais ampla diversidade, assim como a convergência das diferentes dinâmicas particulares e às vezes até contraditórias existentes dentro dos movimentos. Neste sentido, as novas tecnologias podem oferecer suporte e instrumentos efetivos de organização social. Evidentemente, que não será uma organização social hierárquica e centralizada , mas uma organização que ganha a forma de rede e que se apresenta como uma multiplicidade de organizações civis e de comunidades virtuais.

As novas tecnologias, como o jornal de Lênin, podem estruturar uma ação política. Algumas experiências já mostram este potencial: iniciativas para dar uma maior transparência à ação política e administrativa, ao colocar certos serviços diretamente sob o olhar e ação do cidadão (prestação de contas sobre recursos, controle de suas informações, de sua situação e seus direitos nos diferentes setores do estado, plebiscitos, etc.), ou da compra de produtos e serviços para o estado através de pregões eletrônicos (que provocaram uma baixa de preços nas licitações). Mas, mais do que isso, elas viabilizam a constituição de comunidades virtuais, mecanismos interativos e redes que se expandem e se comprimem, se fundem e se dividem, suficientemente flexíveis para provocar sincronizações e absorver as contradições entre diferentes setores da população e se constituir em ações políticas muito superiores às forças que lhe deram origem, se transformando por isso mesmo em um imenso potencial regulador.

Nesses marcos torna-se necessário repensar, a partir de dinâmicas de baixo para cima, não apenas as organizações políticas, mas também as políticas públicas.


(*) Nilton Bahlis dos Santos É Pesquisador do Cais (Laboratório de Estudo e Pesquisa em Comunicação e Saúde do CICT - FIOCRUZ), especialista em processos complexos, Interação e Comunidades Virtuais e foi moderador da Comunidade Cris-Brasil.


Bibliografia Citada:

JOHNSON, Steven. Sistemas Emergentes. Madrid: Turner Publicaciones/ Fondo de Cultura Econômica, 2003. 260 pp.

LENIN, Vladimir. Par oú commencer? In V.Lênine - Oeuvres. Moscou V.5, 1973. 594 p.

NAVARRO, Pablo. Internet como dispositivo de interação virtual,1997. Disponível em: http://www.netcom.es/pnavarro/Publicaciones/InternetDispoInteracVirtua.html Acesso em 5 de dezembro de 2004.

SANTOS, Nilton Bahlis dos. A Ciência da Informação e o Paradigma Holográfico: A Utopia de Vannevar Bush. Tese de Doutoramento em Ciência da Informação - Ibict/Ufrj. Orientador Aldo Barreto Rio de Janeiro, 2005. 185 p. Disponível em: http://biblioteca.ibict.br/phl8/anexos/niltonsantos2005.pdf.

23 de set. de 2007

Artigo de autoria do ministro Gil trata de direitos autorais

Proteção dos bens artísticos e criativos

“O direito autoral voltou hoje a ser premissa e uma das finalidades da política cultural brasileira. A política para o direito autoral é estratégica porque diz respeito à soberania do Brasil e de nossos criadores na emergência

da sociedade do conhecimento.”

Ministro Gilberto Gil


Um artigo assinado pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, no qual ele discorre sobre valorização da criação e proteção aos autores, foi publicado no último domingo (16 de setembro), pelo jornal Folha de S.Paulo.
No texto, sob o título A importância dos direitos autorais, são abordadas questões que vêm mobilizando a opinião pública. Um leque de assuntos relacionados ao Direito Autoral foi destacado: a globalização, as novas mídias e tecnologias, a pirataria, a legislação brasileira e as políticas públicas para o segmento.
Na opinião do ministro Gil, é fundamental que seja promovido “um amplo debate com a sociedade e com todos os atores envolvidos na questão autoral”, por meio de um fórum nacional - encontros, seminários e oficinas -, que o Ministério da Cultura realizará.

Leia o artigo “A importância dos direitos autorais”em:

www.cultura.gov.br/noticias/artigos/index.php?p=29797&more=1&c=1&pb=1

Ambientalismo e Educação são as principais linhas de atuação da vereadora paulista Soninha

Recebo sempre o boletim da vereadora paulista Sonhinha. Aqui pesquei uam das notícias que recebi que acredito não ter fronteira, assim, não é somente divulgada em São Paulo.

BIBLIOTECA DIGITAL
A Editora Fundação Perseu Abramo colocou 43 de seus livros à disposição para dowload integral e gratuito. Os autores vão de Mark Twain e Celso Furtado a Paul Singer, Aloysio Biondi e Maria Rita Khel, entre outros. Coisa fina.

20 de set. de 2007

4 anos do CDM


Exposição C.D.M. admite: 4 anos de embuste (não mais preocupado com a própria direção)

O Coletivo C.D.M. - Centro de Desintoxicação Midiática comemora 4 anos com exposição em Pelotas.

O grupo de autoproclamados “pseudo-artistas” mostra seu trabalho no Fondo Blanco Restobar em Pelotas, de 21/09 a 05/10, em comemoração aos 4 anos de atividade – ou melhor, em comemoração aos 4 anos de embuste do grupo. Com a participação da convidada cornflake, a mostra fica disponível para visitação no local de segunda a sexta à noite.

Após aparições nem sempre furtivas e muitas vezes involuntárias do coletivo por eventos em cidades tão diversas quanto São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba, Porto Alegre e Pelotas, esta será a segunda vez que o C.D.M. escancara (de forma independente) seu trabalho para o público com local, período e hora definidos. Isso porque o espaço tradicional das intervenções do C.D.M. é o tecido urbano, onde já realizou mais de 10 Re-ações que lançam mão de recursos e técnicas simples (como lambe-lambes, stickers, banners reutilizados e estênceis aplicados em tapumes visualmente poluídos e no envelopamento de suportes de mídia exterior), além da veiculação de vinhetas em sistemas de propaganda de áudio na via pública.

O local da exposição, cedido ao Coletivo de maneira incondicional pelos proprietários, não poderia ser mais apropriado para um evento do grupo. Muito longe de ser um lugar que se autodefine cult mas não passa de um fake - como não raro ocorre na noite pelotense - o Fondo Blanco mistura autenticidade e simplicidade com uma capacidade de se reinventar sem perder a essência, o que garantiu ao restobar a fidelidade de um público que consolidou o local como uma importante referência na cena cultural e gastronômica da cidade.

Exposição C.D.M. admite: 4 anos de embuste (não mais preocupado com a própria direção) fica aberta gratuitamente ao público de 22/09 a 05/10, de segunda a sexta-feira das 20h00 às 23h30. Fondo Blanco Restobar: rua Voluntários da Pátria, 771 – Centro, Pelotas – RS

Coletivo C.D.M. – Centro de Desintoxicação Midiática – www.grupocdm.org

SANTANA, Carlos; BERG, Jan; VENCESLAO, Juliano.

“Parece-me oportuno examinar o conjunto de ações-ambientes do coletivo C.D.M. pelo seu caráter de não-ineditismo. Parte desta produção já transitou por alguns lugares – paredes, muros, tapumes de construção civil, paradas de ônibus, postes de iluminação pública e, até mesmo, instituições disciplinares. Cabe ressaltar que tal abordagem não enfraquece a potência de suas ações. Observadas sob a ótica do já-visto, tais interferências tornam-se “re-ações públicas”[1], configurando uma espécie de looping em contra-ataque. Por meio desta mostra, o coletivo C.D.M. nos apresenta um acervo que deflagra um dos sintomas da coréia artística atual – a subversão de técnicas e artifícios da comunicação, manipulando suas linguagens ao avesso.

De resto, podemos constatar que, não só, “a propaganda está cada vez melhor”[2], como também, a arte está...”
Athaíde Rodrigues

Conhecido e ativo crítico de arte do centro-sul do Brasil

[1] Termo cunhado pelo coletivo C.D.M. para designar suas ações-ambientes.

[2] Referência à Re-ação Pública V, realizada em 2006, na cidade de Pelotas.

2 de set. de 2007

Petição ao Senado Federal contra as limitações do uso da internet

Petição por uma Internet Democrática

Consulta Pública da Agência Nacional de Telecomunicações propõe severas limitações ao uso do espectro eletromagnético, que podem inviabilizar redes comunitárias e outras iniciativas de inclusão digital. Rits, Intervozes e Associação Software Livre manifestam-se contra a proposta.
Aqui no CulturaLIVRE, tu podes clicar no banner da petição ao Senado Federal para assiná-la.

31 de jul. de 2007

Ministro Haker da contracultura difunde os ideais Linux

MILÃO - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, que está na Itália para apresentações de sua nova turnê mundial Banda Larga, dedicada às novas tecnologias e ao problema de acessibilidade à propriedade intelectual, declarou ontem que "a cultura como um todo e principalmente a música devem se tornar livres e compartilháveis, assim como o software Linux".
Não por acaso, cada concerto da nova turnê é aberto por uma voz que diz: "Pede-se aos senhores espectadores para que filmem e fotografem o show e para que o baixem no site de Gilberto Gil".
"Estamos em uma fase de continua evolução. Não se pode pensar em defender o existente. É necessário procurar novos modelos, novas definições de direitos autorais e novos modos de remunerar os artistas", explicou Gil, que se apresentara depois de amanhã no festival latino-americano de Assago, cidade da província da Lombardia, região norte da Itália. "Não sou eu que digo isso, mas um vasto número de opiniões que aprendi a conhecer, sobretudo quando me tornei ministro e comecei a intermediar os pedidos da sociedade civil e as posições oficiais do Governo, sancionador das leis".
Para compensar as gravadoras e os artistas pela perda dos direitos autorais, procurando também evitar que quem baixa bens de propriedade intelectual pela rede venha a ser acusado de crime, Gil já tem em mente um modelo: "O Linux é um software livre e aberto, para cujo desenvolvimento contribuem milhões de pessoas em cada parte do mundo. Ninguém paga para tê-lo, mas pode-se contribuir para melhorá-lo, tanto que atualmente, nos estúdios de Hollywood, 70% dos computadores utiliza a plataforma Linux para a realização de efeitos especiais, pois se mostra mais confiável".
Perguntado se o mercado musical, uma vez desligado da industria fonográfica e das exigências de lucro, poderá se desenvolver neste caminho, Gil respondeu: "É cedo para dizer, pois vejo os movimentos atuais, e não o futuro. Este depende do quanto será intenso o movimento social que surgirá voltado a essas novas possibilidades".
Para as novas tecnologias, "necessárias para o desenvolvimento e a mudança", Gil dedicou também sua música Banda Larga, cujo vídeo-clipe foi filmado dentro de sua própria casa, com um telefone celular, pelo cineasta Andrucha Waddington, e difundido posteriormente pela internet (assista aqui).
Na cozinha, entre geladeiras cobertas de imãs e amigos reunidos ao redor de uma mesa, o "Ministro da Contracultura" - como foi recentemente definido pelo jornal britânico The Guardian - canta sobre novas tecnologias, internet e YouTube.
Uma música que é um verdadeiro manifesto da cultura digital e da informação democrática, já que, segundo Gil, "como antes necessitávamos de ferrovias e estradas, hoje todos precisamos de banda larga".

29 de mai. de 2007

TVes é a nova TV estatal da Venezuela

O sinal da TVes chegou primeiro aos sistemas de televisão por cabo, às 00:00 horas de hoje (segunda-feira, dia 28 de maio), e durante vários minutos exibiu o símbolo do novo canal, e só meia hora depois chegou em sinal aberto às televisões caraquenhas. Durante os primeiros 15 minutos a TVes transmitiu um vídeo de promoção da nova programação do canal, passando depois a transmitir uma imagem em directo do Teatro Teresa Carrenho, onde a directora do novo canal, Lil Rodríguez, agradeceu ao presidente Hugo Chávez.

Depois teve lugar uma gala musical, em que a Orquestra Sinfónica da Juventude Venezuelana Simón Bolívar interpretou o hino nacional e actuaram diversos cantores e grupos de música folclórica e crioula.
Foi ainda transmitida a primeira parte da longa-metragem "Eterno", sobre o "pai da pátria", o Libertador Simón Bolívar, da autoria de Júlio César Mármol.
A despedida da RCTV, dedicou as suas últimas horas de emissão, a recordar os 53 anos de história daquela estação privada, instando a não perder a esperança e garantindo que em breve estaria de regresso, o que não se assucedeu.

16 de abr. de 2007

quadrinhos digitais confeccionados no FISL 8.0

por Karlisson de Macêdo Bezerra
A arena de programação virou arte e foi tomada por nerds artistas às 15:30h do terceiro e último dia do FISL. Linhas de código e desafios de programação deram lugar a curvas, cores e olhares admirados com o que se pode produzir artisticamente com software livre. Foi o I LGM - Libre Graphics Meeting Brasil, organizado por Aurélio Heckert, Valéssio Brito e João Calligaris. Foi muito proveitoso, aprendi umas coisinhas legais no Inkscape e tive a oportunidade de ensinar algumas outras aos mestres!

veja o original no blog do Nerdson não vai à escola

5 de abr. de 2007

FISL 8.0 - Fórum Internacional de Software Livre acontece de 12 a 14 de abril em POA

Com a chamada "Socialmente Justo, Tecnologicamente Viável, Economicamente Sustentável" o FISL 8.0, que acontece de 12 a 14 de abril em Porto Alegre, reúne uma série de atividades que tem como centralidade a divulgação das idéias de liberdade do conhecimento. As incrições podem ser feitas durante os dias do evento. A sede do FISL 8.0 é a FIERGS em Porto Alegre que receberá mais de 5 mil pessoas nas suas dependências. Na programação já estão confirmadas palestras com nomes nacionais e internacionais, entre eles, Jon "maddog" Hall que é um dos fundadores do movimento Open Source internacional e desde 1995 é diretor-presidente da Linux International, Lucas Brasilino que em 2002 integrou a equipe da Divisão de Internet e Rede Cidadão da Emprel - Empresa Municipal de Informática do Recife, administrando vários servidores e mainframe com GNU/Linux e Theo De Raadt que é o líder do projeto OpenBSD nascido de dentro do NetBSD 1.0. que desde 1996, o projeto tem uma nova versão a cada seis meses e cada versão é mantida durante um ano, sendo a última versão, a 4.0 .
Para o sub-tema do design digital livre, acontece o I Libre Graphics Meeting - Brasil, um evento comunitário do FISL 8.0 organizado por representantes das comunidades brasileiras de GIMP, Inkscape, Blender e Estudio Livre com o objetivo de divulgar estes grupos, divulgar a arte gráfica digital livre e promover a trocar conhecimentos com o público do Fórum Internacional de Software Livre. O FISL 8.0 tem banner no CulturaLIVRE onde tu podes obter mais informações.

18 de mar. de 2007

2º Festival Multimídia de Cultura Livre do Brasil

Acontece paralelo ao FISL 8.0 - Fórum Internacional de Software Livre, que acontece em POA de 12 a 14 de abril de 2007. A mostra TV LIVRE CRIEI, TIVE COMO! tem como principal objetivo consolidar um espaço de exibição e difusão da produção audiovisual livre das restrições do copyright tradicional. A mostra pretende reunir programas diversos e personalidades ligadas à Cultura Livre. As propostas deverão ser encaminhados por correio, acompanhadas da ficha de inscrição preenchida e assinada, até dia 23 de março. O custo de envio dos trabalhos para a seleção corre por conta dos proponentes. A confirmação do recebimento da inscrição será comunicada por e-mail. A ficha de inscrição pode ser encontrada em http://www.vjpixel.net/tvctc.rtf Os vídeos e filmes inscritos devem ser encaminhados para:

TV Criei, Tive Como!
Cine Falcatrua
Caixa Postal 010006
Vitória - ES
CEP 29001-970


17 de fev. de 2007

TEVELIÇÃO: Como Fazer um TV em 5 minutos



Vídeo explicativo: Como fazer uma tv em cinco minutos.
Apresentado pelo amigo José Guilherme de Castro, o popular Zé Guilherme.